A descoberta que nunca tive coragem para admitir:

Não acredites em quem apregoa o amor; acredita antes em quem o pratica!

Friday, June 4, 2010

Rendida

Foi tudo tão intenso, tão diferente, …

O meu corpo sentiu-se completamente confuso.

Ou teria sido eu a confundir-me?

Não importa, porque o corpo é meu

e eu também sou corpo.

Essas tuas mãos, que pegaram nas minhas,

sem adornos nem receios,

fizeram-nas transpirar, gelar, …

galgar com a mensagem até ao meu coração, que disparou.

Coitado! Não estava habituado.

Disparou vozes de quero, quero, .. eu quero!

O quê? perguntaste-me. O que queres?

A ti, respondi para dentro.

O teu abraço veio buscar a resposta.

O meu abraço contou-te o que eu queria.

Foi tão intenso, tão inesperado, …

O meu corpo prostrou-se, irremediavelmente rendido:

- Que estava a acontecer?

Eras tu, era eu, latejante de desejo,

era a magia, era a surpresa, era tudo!

Tudo tão novo! Tão arrojado!

Se pudesses ter sentido o bater do meu coração,

terias sabido do galope.

Se pudesses ter ouvido a minha alma,

terias sabido da minha ânsia.

Sentiste? Sentiste, sim, que eu sei.

Vieste ao meu encontro. Porque eu não iria.

A minha audácia ainda é jovem, indecisa, ...

O beijo … senti-o desprevenida mas sôfrega,

como quem sorve depois do jejum,

em golpes vorazes e seguidos,

ao mesmo tempo que despertava para ti.

O toque … céus! Baleou-me.

A respiração falhou, entrecortada, ...

O pensamento começou a diluir-se,

a fugir de mim, a fugir dali, ...

Percebi, rapidamente, que toda eu tenho Vida:

cada dedo, cada fio de cabeço, cada milímetro de pele, …

...

Vida pulsante, intensa e desmedida.

E percebi também que,

se me guiares, eu serei capaz.

Até quando?

Até quando for possível e o Sol, e o vento, e a Terra me permitirem.

E tu, não precisas de te assustar,

Porque a minha vontade apaga no momento em que a tua ordenar.

I need you, I love you - Marc Anthony

Saturday, May 29, 2010

Hoje ofereci-me rosas!


Hoje, resolvi oferecer-me rosas, a mim própria.

Fui ao quintal da minha mãe e olhei para elas, com olhos de quem aprecia toda a beleza que elas sempre tiveram.
Achei que, de alguma forma, elas falaram comigo.
Disseram-me que eu estava feliz, alegre, com um sorriso de orelha a orelha, ... que já não me viam assim há muito, muito tempo.
Apetecia-me ficar ali, com elas, a conversar mas senti que elas se convidaram a vir comigo.
Então, eu trouxe-as. Um ramo que abracei.
Em casa, dei-lhes um lugar e uma forma: solta, livre, um tanto desalinhada, assimétrica, talvez mas foi assim que me apeteceu, porque é assim que me sinto: livre, solta, desalinhada mas, gostosamente feliz.

Wednesday, May 26, 2010

Dormes comigo todas as noites!


Todos os dias, antes de entrar no mundo dos sonhos,
Elevo-te no meu pensamento e te retenho.

Pego em cada pedaço teu
e faço dele o meu mais desejado troféu.
Nos teus olhos deposito toda a minha alma!
Eles me acolhem e me encorajam,
deixam que me dispa e me mostre
Nua, pura, apenas Eu.
Nas tuas mãos me entrego, me deito e me detenho.
Sinto-te em mim, na força do meu desejo.
Sussurro ao teu ouvido a vontade da tua boca,
deslizo à procura do teu beijo,
que imagino quente, molhado, profundo e doce,
enquanto as tuas mãos vagueiam pelo meu corpo,
e me descobrem recantos que já te sentem,
desejando, tu e eu, que nossos corpos se unam,
se fundam, se misturem e se moldem.

Todos os dias, antes de entrar no mundo dos sonhos,
Te desejo, te tenho e adormeço.

De manhã, quando acordo,
encontro-te tatuado na minha mente,
como se ali tivesses dormido, comigo.
Passeias-te em tudo o que toco,
em tudo o que cheiro,
em tudo o que o meu olhar alcança.
Guardo-te em mim,
Aconchego-te ao colo.
Fico contigo até anoitecer.

À noite, antes de entrar no mundo dos sonhos,
Te desejo de novo, e te tenho inteiro.

Sunday, May 16, 2010

A minha casa é a minha alma

A minha casa é a minha alma.

Nela albergo tudo o que faz de mim o que sou: os desencantos, as alegrias, as desilusões, as metas intangíveis, os caminhos traçados, as dores, as ilusões, ... e os sonhos.

Os meus sonhos.

Aqueles que me levam a lugares onde nunca estive, onde vejo e sinto o que nunca senti - almas que se me ligam e se mesclam como se fossemos uma só - onde eu corro, onde eu voo, onde eu experimento, onde eu me supero, onde eu vivo, onde eu cheiro, choro e sinto, ...

Onde eu te sinto, debaixo da minha própria pele.


A minha casa é a minha alma.
É nela que quero morar.

Monday, May 3, 2010

Estes olhos, assim profundos!



Tanto que oferecem! Mas guardam.
Tanto que escondem! Mas denunciam.
Tanto que apetece descobrir!

Saturday, May 1, 2010

Roy Orbison : California Blue

O lago da despedida

Foi hoje, entre as 00:30h e as 01:30h. A hora de fechar e de abrir os olhos.
Vivi a despedida no lago. A despedida do que nunca foi.

Não sei muito bem como cheguei àquele local. A verdade é que me vi lá, sentada, numa sala de espera de uma casa grande, parecia-me uma clínica, com paredes e tectos brancos, onde as funcionárias também se vestiam de branco.
A certa altura uma delas pediu-me para a acompanhar a uma sala, onde tu já me esperavas, à porta, também vestido de branco - umas calças largas e uma túnica.
Os teus olhos sobressaíam naquele invólucro branco. Duas estrelas azuis. Deste-me a mão, entrámos, fechaste a porta e levaste-me até ao fundo da sala, onde havia uma porta enorme, toda em vidro e de onde se podia ver um jardim. Lindíssimo! Um jardim como nunca havia visto em toda a minha vida: as árvores, as flores, os arbustos, as cores, tudo era deslumbrante. Aquela paisagem fascinou-me. E tu percebeste.
Abriste a porta, voltaste a pegar-me na mão e levaste-me até ao jardim. A medida que caminhávamos, o ar quente e doce invadia-me as narinas e deixava-me leve, como se os meus pés não tocassem o chão ao caminhar. Havia um pássaro que nos sobrevoava, enquanto caminhávamos, mas cantava uma melodia triste, como que anunciando algo de trágico. Só isso destoava no meio da toda aquela beleza. Caminhámos um pouco e encontrámos uma escadaria que descia para um lago,de um verde límpido e suave. Descemos e reparámos que o lago era ladeado por uma escarpa rochosa, altíssima, formando um círculo, quase totalmente fechado. Consegui vislumbrar uma fenda vertical na parede de rocha, por onde o vento se esgueirava e a água do mar - que ficava do lado de fora deste círculo granítico - comunicava com as águas verdes do lago.
Havia pedras, umas grandes e outras menores, que formavam uma espécie de passadiço, através do qual se podia chegar ao centro do lago. De mãos dadas, saltitámos até chegarmos a uma rocha maior, onde nos sentámos. Estivemos assim, sentados, em silêncio por alguns instantes. Podíamos ver pequenas tartarugas, peixes coloridos e de tamanhos variados que se abeiravam para ver quem havia chegado ali. Um mero veio ver-me. Acho que nos conhecíamos, já. Seria o Pintas? Não deu para confirmar.
A água, um espelho translúcido, mostrava o fundo, todo coberto de pequenas algas verdes e que, por isso, lhe davam aquela cor. Tu comentaste que o lago era o espelho dos meus olhos.
O sol entrava a pique e tu não resististe. Livraste-te da túnica e mergulhaste. Fiquei à tua espera. Subiste, chegaste perto dos meus pés e disseste: "Vês? trouxeste essa saia e agora não podes vir!" Eu sorri. Ainda respondi: "Mas eu tiro-a!" Já tu tinhas mergulhado outra vez. Ainda te vi deslizar para o fundo e fiquei a ver se subias. "Maldita saia!, pensei.
O sol deixou de brilhar, uma nuvem cinzenta carregou o céu e eu deixei de te ver no fundo.
Estremeci ao som de um assobio, vindo daquela fenda nas rochas, onde um ar forte cresceu e começou a puxar-me, como se quisesse sugar-me para fora do círculo. Arregacei aquela maldita saia e subi a uma rocha mais estreita e à qual me podia agarrar, abraçando-a, e senti que a água estava, também ela, a ser levada, como se tivessem retirado o tampão de uma banheira. Tudo o que havia no lago era levado, em remoinhos. Eu filei os meus olhos no fundo do lago, tentando encontrar-te, gritando o teu nome, já rouca, já sem força, sentindo os gritos redobrarem pelo eco mas abafados pelo uivo enfurecido daquele mar que vinha resgatar a sua água e os seus peixes, antes aprisionados neste círculo rochoso que foi um lago.
Tu não ficaste. Tu não apareceste. Tudo tinha sido levado. Tu também. Eu gritei o teu nome até à exaustão, até não conseguir ouvir a minha própria voz.
Fiquei sem saber se foste levado ou se escolheste ir.
Neste lago me despedi de ti.

Tuesday, April 27, 2010

Monday, April 26, 2010

Tu sonhas Grande! ou Sonhas Alto?

Lembro-me de, muitas vezes, ter ficado a olhar a linha do horizonte, enquanto esperava pela minha mãe, na praia.
A apanha do sargaço era, na altura, o modo de vida de muitas mulheres que, como a minha mãe, não tinham uma profissão ou, se a tinham, após o casamento vinham para casa para cuidar do lar e da família. Mas os tempos eram difíceis e esses planos de cuidar da família ficavam no rol das boas intenções, pelo que, uma vez os empregos perdidos, tinham de se agarrar ao que aparecia.
Naquela altura, os japoneses eram bons clientes para o sargaço. Dizia-se que faziam remédios com estas algas. Como nós riamos quando ouvíamos isto: remédios? com o sargaço? Nós só lhe conhecíamos as qualidades de bom adubo para os campos.
Esses tempos, para mim, foram tempos muito, muito felizes! Cresci no mar, fiz amizades no mar, brinquei naquele areal imenso, chorei e ri como todas as crianças choram e riem e sonhei. Como sonhei!
Tentava imaginar o que haveria do outro lado do mar: outros meninos, ... seriam como nós? Também brincariam ao pilha, ou à macaca, à cabra-cega, ... e as mães? Andariam ao sargaço? Como seria a praia lá? Era tão inocente o meu sonho que transpunha para lá o meu mundo, apenas o mundo que conhecia.
A minha imaginação deixava-me muitas vezes longe da algazarra e das correrias dos outros meninos. Sabia que, nem eu nem os meus colegas poderíamos ir lá, ao outro lado. Talvez só os senhores que vinham passar férias para casa dos meus avós - os fidalgos - é que teriam possibilidade, leia-se dinheiro, para poder viajar até lá.
Depois, quando chegava a casa e perguntava à minha avó Maria se ela achava que o avô Francisco podia ir lá no barco dele, ela ria-se e dizia: Tu sonhas grande!

Friday, April 23, 2010

O meu Anjo da Guarda tem nome




Voar

Eu queria ser astronauta
o meu país não deixou
Depois quis ir jogar à bola
A minha mãe não deixou
Tive vontade de voltar à escola
Mas o avô não deixou
Fechei os olhos e tentei dormir
Aquela dor não deixou

Ó meu anjo da guarda
Faz-me voltar a sonhar
Faz-me ser astronauta e voar

O meu quarto é o meu mundo
O ecrãn é a janela
Não choro em frente à minha mãe
Eu que gosto tanto dela
Mas esta dor não quer desaparecer
Vai-me levar com ela

Ó meu anjo da guarda
faz-me voltar a sonhar
Faz-me ser astronauta e voar

Acordar meter os pés no chão
Levantar e dar o que tens para dar
Voltar a rir,voltar a andar
Voltar Voltar
Voltarei
Voltarei
Voltarei
Voltarei
Xutos & Pontapés
________________________________________________________

O meu Anjo da Guarda tem nome
Mas ainda não me levou a voar
Deu-me as asas e fugiu
Deixou-me só, para arriscar

Ainda não me conhece, este Anjo!
Não sabe que nunca irei
Não baterei asas sozinha

Ó meu Anjo da Guarda
Junta-te a mim neste voo
Vem dizer-me como é
Puxa-me, arrasta-me que eu vou!



Tuesday, April 20, 2010

Cada dia um ensinamento novo

"Assim que você honrar o momento presente, toda a infelicidade e todo o conflito desaparecerão e a vida começará a fluir alegre e facilmente".
Eckhart Tolle

Friday, April 9, 2010

O nosso cérebro atraiçoa-nos

Esta coisa de decidirmos não pensar em alguma coisa ou em alguém é muito perigosa.
O nosso cérebro arma-se de todos os mecanismos possíveis e imaginários e atraiçoa-nos.
Alia-se ao nosso pensamento - agora nosso grande inimigo, já que é com ele que queremos lutar - e, de forma cerrada e persistente esmaga-nos até à medula, fazendo-nos pensar, pensar, pensar e pensar naquilo que mais queríamos não pensar.

Help! I need some help, please!

Friday, April 2, 2010

O mundo revisitado dos sonhos


Deparei-me com um espaço na minha casa que precisava de ser preenchido. Talvez reorganizado.
Mas tinha de ser de forma especial: mais claro, mais limpo, mais transparente e, ao mesmo tempo, mais dinâmico, mais transformador, mais enriquecedor...
- Livros, pensei. Livros são conhecimento, são portas abertas ao sonho, são bilhetes de primeira classe para as mais extraordinárias viagens. Livros são liberdade. São riqueza, são alimento para a alma.
Mas há livros e livros: os físicos, de papel e outros, aqueles livros que se sentem nas palavras, nuns olhos que nos transmitem força e nos apontam caminhos ou, simplesmente, que nos dizem: - Estou aqui! Lê-me!
Comecei a minha procura.
Depois de algum tempo, achei que tinha encontrado o que queria.
Encontrei uma verdadeira enciclopédia. Vastíssima, repleta de novidades e, para meu gáudio, verdadeiramente especializada na área que mais necessitava de ler agora.
Necessitava urgentemente de respostas para as minhas dúvidas.
Fiz o contacto e encomendei.
No dia e à hora combinados fui buscá-la.

A loja era fascinante. De tal maneira que a leitura do primeiro volume foi iniciada lá mesmo: com música e cheiros.
A princípio custou-me um pouco entrar no enredo; assim como quem inicia o “Ensaio sobre a cegueira” de José Saramago. Fica-se perdido naquela falta de pontos e de vírgulas que nos condiciona a respiração. Nunca sabemos quando se pode ou deve fazer uma pausa para respirar. De tal forma que respiramos aos solavancos. Depois, as ideias ficam um pouco turvas e não se alinham, não há um fio condutor, não se vê um princípio, um meio e um fim: tudo é princípio, sempre princípio, porque sempre novo, desconhecido. Até assusta!

Trouxe esse primeiro volume para casa, alojado na minha mente, e continuei a lê-lo, um bocadinho todos os dias. É uma leitura que se auto impõe.

Oito dias volvidos, regressei para o segundo volume.
Desta vez dei mais atenção a pormenores que não havia dado da primeira vez. Senti que havia uma energia muito positiva, uma tranquilidade a que não estava habituada e que, estranhamente, me perturbava. Dei início ao segundo volume.
Como já estava mais confiante e preparada para o tipo de discurso literário, foi mais fácil penentrar o texto, sentir-lhe os aromas, os recursos, as pausas, ... Deixei-me levar por cada parágrafo, por cada palavra, por cada vírgula em falta, por cada toque. Aqui, neste segundo volume, senti, nitidamente, que era uma leitura que me iria dar muito prazer. Um prazer do qual decidi não abdicar: ia ler aquela enciclopédia até ao fim.

Tornou-se um hábito semanal. De tal forma me embrenhei, que se transformaram em viagens ao mundo do retido na alma, ao fosso onde se enterraram e ainda se escondem, envergonhados, os doces sabores de ser mulher.
Vários volumes depois, redescobri o prazer de ler, a capacidade de sonhar, mas, acima de tudo, a vontade firme de não desistir, a necessidade de não me deixar adormecer, de arrancar o pouco que ainda há para conhecer e que a Vida não me vai negar.
E eu vou estar atenta, muito atenta, porque o Universo, às vezes, alinha-se.

Monday, March 29, 2010

Wednesday, March 24, 2010

Primavera

Dizem os manuais que a Primavera chega a 21 de Março.
De facto, esteve um dia bonito; um dia de Primavera.

Ontem, a manhã foi injusta. Tão injusta que me fez questionar coisas, atitudes, dedicações, entregas, ... questionei-me a mim própria: Mas afinal, quem serei eu? Que posso, na realidade, dar aos outros? Como é essa minha dádiva encarada e recebida pelos outros?
Fiz-me diversas perguntas - algumas mais idiotas do que outras - mas, no fundo, questionei muita coisa. Arrependi-me de outras tantas.

O almoço, no Lais de Guia - meu refúgio preferido - foi leve, apreciado, embora só. Terminei-o com uma chávena de chá verde a acompanhar uma tarde de maçã morninha com uma bola de gelado. Mistura de sabores, ... o quente e o frio, ... . Uma delícia! Achei, por momentos, que tinha exorcisado aquela manhã. Como me enganei!

Regressei ao trabalho.
O contacto com o espaço trouxe-me, de volta, a manhã. Aquela manhã injusta.
Mas, respirei fundo, olhei pela janela, liguei o computador e pensei:
- Paciência! Não há-de ser nada de grave.
Qual paciência? Remoí-me toda por dentro. Continuei o meu discurso interno de questões, de suposições, de "porquês", ... aquela minha constante luta: Razão versus Emoção. Como elas se desentendem, ultimamente!

Mas afinal, em que contexto deste discurso entra a Primavera?
No fim do dia.
Precisamente aí.
Um Anjo desceu, pegou em mim ao colo, mostrou-me que a Primavera existe, que é, ainda, possível apreciar as manhãs radiosas, os dias de sol, os fins de tarde alaranjados, ...
Afinal as cores existem. Para além do cinzento e do preto, há outras cores: as da Primavera.
Ah, e o verde é bonito.
E o azul, como o azul pode ser tão meigo e doce!

Monday, March 8, 2010

Ainda 8 de Março




Já escureceu e, ...
Continuo sem dar por nada.





Friday, March 5, 2010

Finalmente, deixei-te.

Não foi só hoje.
Já foi há muito tempo.
Tanto, que me perdi na data.

Porquê lutar contra o impossível?
Porquê dar murros em faca?
Porquê perder tempo com quem não me dedica um segundo?
Porquê insistir?
Porquê?

Tenho medo, muito medo de me transformar em mais uma deficiente: louca, cega, surda, muda, ...

...

Citando Mario Quintana:

DEFICIÊNCIAS

"Deficiente" é aquele que não consegue modificar a sua vida, aceitando as imposições de outras pessoas ou da sociedade em que vive, sem ter consciência de que é dono do seu destino.

"Louco" é quem não procura ser feliz com o que possui.

"Cego" é aquele que não vê o seu próximo morrer de frio, de fome, de miséria, e só tem olhos para os seus míseros problemas e pequenas dores.

"Surdo" é aquele que não tem tempo de ouvir um desabafo de um amigo ou o apelo de um irmão. Pois está sempre apressado para o trabalho e quer garantir os seus tostões ao fim do mês.

"Mudo" é aquele que não consegue falar o que sente e se esconde por trás da máscara da hipocrisia.

"Paralítico" é aquele que não consegue andar na direcção daqueles que precisam da sua ajuda.

"Diabético" é quem não consegue ser doce.

"Anão" é quem não sabe deixar o amor crescer. E, finalmente, a pior das deficiências é ser miserável, pois:

A amizade é um amor que nunca morre.