A descoberta que nunca tive coragem para admitir:

Não acredites em quem apregoa o amor; acredita antes em quem o pratica!

Friday, April 2, 2010

O mundo revisitado dos sonhos


Deparei-me com um espaço na minha casa que precisava de ser preenchido. Talvez reorganizado.
Mas tinha de ser de forma especial: mais claro, mais limpo, mais transparente e, ao mesmo tempo, mais dinâmico, mais transformador, mais enriquecedor...
- Livros, pensei. Livros são conhecimento, são portas abertas ao sonho, são bilhetes de primeira classe para as mais extraordinárias viagens. Livros são liberdade. São riqueza, são alimento para a alma.
Mas há livros e livros: os físicos, de papel e outros, aqueles livros que se sentem nas palavras, nuns olhos que nos transmitem força e nos apontam caminhos ou, simplesmente, que nos dizem: - Estou aqui! Lê-me!
Comecei a minha procura.
Depois de algum tempo, achei que tinha encontrado o que queria.
Encontrei uma verdadeira enciclopédia. Vastíssima, repleta de novidades e, para meu gáudio, verdadeiramente especializada na área que mais necessitava de ler agora.
Necessitava urgentemente de respostas para as minhas dúvidas.
Fiz o contacto e encomendei.
No dia e à hora combinados fui buscá-la.

A loja era fascinante. De tal maneira que a leitura do primeiro volume foi iniciada lá mesmo: com música e cheiros.
A princípio custou-me um pouco entrar no enredo; assim como quem inicia o “Ensaio sobre a cegueira” de José Saramago. Fica-se perdido naquela falta de pontos e de vírgulas que nos condiciona a respiração. Nunca sabemos quando se pode ou deve fazer uma pausa para respirar. De tal forma que respiramos aos solavancos. Depois, as ideias ficam um pouco turvas e não se alinham, não há um fio condutor, não se vê um princípio, um meio e um fim: tudo é princípio, sempre princípio, porque sempre novo, desconhecido. Até assusta!

Trouxe esse primeiro volume para casa, alojado na minha mente, e continuei a lê-lo, um bocadinho todos os dias. É uma leitura que se auto impõe.

Oito dias volvidos, regressei para o segundo volume.
Desta vez dei mais atenção a pormenores que não havia dado da primeira vez. Senti que havia uma energia muito positiva, uma tranquilidade a que não estava habituada e que, estranhamente, me perturbava. Dei início ao segundo volume.
Como já estava mais confiante e preparada para o tipo de discurso literário, foi mais fácil penentrar o texto, sentir-lhe os aromas, os recursos, as pausas, ... Deixei-me levar por cada parágrafo, por cada palavra, por cada vírgula em falta, por cada toque. Aqui, neste segundo volume, senti, nitidamente, que era uma leitura que me iria dar muito prazer. Um prazer do qual decidi não abdicar: ia ler aquela enciclopédia até ao fim.

Tornou-se um hábito semanal. De tal forma me embrenhei, que se transformaram em viagens ao mundo do retido na alma, ao fosso onde se enterraram e ainda se escondem, envergonhados, os doces sabores de ser mulher.
Vários volumes depois, redescobri o prazer de ler, a capacidade de sonhar, mas, acima de tudo, a vontade firme de não desistir, a necessidade de não me deixar adormecer, de arrancar o pouco que ainda há para conhecer e que a Vida não me vai negar.
E eu vou estar atenta, muito atenta, porque o Universo, às vezes, alinha-se.

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