Wednesday, April 28, 2010
Tuesday, April 27, 2010
Monday, April 26, 2010
Tu sonhas Grande! ou Sonhas Alto?
Lembro-me de, muitas vezes, ter ficado a olhar a linha do horizonte, enquanto esperava pela minha mãe, na praia.
A apanha do sargaço era, na altura, o modo de vida de muitas mulheres que, como a minha mãe, não tinham uma profissão ou, se a tinham, após o casamento vinham para casa para cuidar do lar e da família. Mas os tempos eram difíceis e esses planos de cuidar da família ficavam no rol das boas intenções, pelo que, uma vez os empregos perdidos, tinham de se agarrar ao que aparecia.
Naquela altura, os japoneses eram bons clientes para o sargaço. Dizia-se que faziam remédios com estas algas. Como nós riamos quando ouvíamos isto: remédios? com o sargaço? Nós só lhe conhecíamos as qualidades de bom adubo para os campos.
Esses tempos, para mim, foram tempos muito, muito felizes! Cresci no mar, fiz amizades no mar, brinquei naquele areal imenso, chorei e ri como todas as crianças choram e riem e sonhei. Como sonhei!
Tentava imaginar o que haveria do outro lado do mar: outros meninos, ... seriam como nós? Também brincariam ao pilha, ou à macaca, à cabra-cega, ... e as mães? Andariam ao sargaço? Como seria a praia lá? Era tão inocente o meu sonho que transpunha para lá o meu mundo, apenas o mundo que conhecia.
A minha imaginação deixava-me muitas vezes longe da algazarra e das correrias dos outros meninos. Sabia que, nem eu nem os meus colegas poderíamos ir lá, ao outro lado. Talvez só os senhores que vinham passar férias para casa dos meus avós - os fidalgos - é que teriam possibilidade, leia-se dinheiro, para poder viajar até lá.
Depois, quando chegava a casa e perguntava à minha avó Maria se ela achava que o avô Francisco podia ir lá no barco dele, ela ria-se e dizia: Tu sonhas grande!
Friday, April 23, 2010
O meu Anjo da Guarda tem nome

Voar
Eu queria ser astronauta
o meu país não deixou
Depois quis ir jogar à bola
A minha mãe não deixou
Tive vontade de voltar à escola
Mas o avô não deixou
Fechei os olhos e tentei dormir
Aquela dor não deixou
Ó meu anjo da guarda
Faz-me voltar a sonhar
Faz-me ser astronauta e voar
O meu quarto é o meu mundo
O ecrãn é a janela
Não choro em frente à minha mãe
Eu que gosto tanto dela
Mas esta dor não quer desaparecer
Vai-me levar com ela
Ó meu anjo da guarda
faz-me voltar a sonhar
Faz-me ser astronauta e voar
Acordar meter os pés no chão
Levantar e dar o que tens para dar
Voltar a rir,voltar a andar
Voltar Voltar
Voltarei
Voltarei
Voltarei
Voltarei
Xutos & Pontapés
________________________________________________________
Ainda não me conhece, este Anjo!
Não sabe que nunca irei
Não baterei asas sozinha
Ó meu Anjo da Guarda
Junta-te a mim neste voo
Vem dizer-me como é
Puxa-me, arrasta-me que eu vou!
________________________________________________________
O meu Anjo da Guarda tem nome
Mas ainda não me levou a voar
Deu-me as asas e fugiu
Deixou-me só, para arriscar
Mas ainda não me levou a voar
Deu-me as asas e fugiu
Deixou-me só, para arriscar
Ainda não me conhece, este Anjo!
Não sabe que nunca irei
Não baterei asas sozinha
Ó meu Anjo da Guarda
Junta-te a mim neste voo
Vem dizer-me como é
Puxa-me, arrasta-me que eu vou!
Tuesday, April 20, 2010
Cada dia um ensinamento novo
"Assim que você honrar o momento presente, toda a infelicidade e todo o conflito desaparecerão e a vida começará a fluir alegre e facilmente".
Eckhart Tolle
Friday, April 9, 2010
O nosso cérebro atraiçoa-nos
Esta coisa de decidirmos não pensar em alguma coisa ou em alguém é muito perigosa.
O nosso cérebro arma-se de todos os mecanismos possíveis e imaginários e atraiçoa-nos.
Alia-se ao nosso pensamento - agora nosso grande inimigo, já que é com ele que queremos lutar - e, de forma cerrada e persistente esmaga-nos até à medula, fazendo-nos pensar, pensar, pensar e pensar naquilo que mais queríamos não pensar.
Help! I need some help, please!
O nosso cérebro arma-se de todos os mecanismos possíveis e imaginários e atraiçoa-nos.
Alia-se ao nosso pensamento - agora nosso grande inimigo, já que é com ele que queremos lutar - e, de forma cerrada e persistente esmaga-nos até à medula, fazendo-nos pensar, pensar, pensar e pensar naquilo que mais queríamos não pensar.
Help! I need some help, please!
Friday, April 2, 2010
O mundo revisitado dos sonhos
Deparei-me com um espaço na minha casa que precisava de ser preenchido. Talvez reorganizado.
Mas tinha de ser de forma especial: mais claro, mais limpo, mais transparente e, ao mesmo tempo, mais dinâmico, mais transformador, mais enriquecedor...
- Livros, pensei. Livros são conhecimento, são portas abertas ao sonho, são bilhetes de primeira classe para as mais extraordinárias viagens. Livros são liberdade. São riqueza, são alimento para a alma.
Mas há livros e livros: os físicos, de papel e outros, aqueles livros que se sentem nas palavras, nuns olhos que nos transmitem força e nos apontam caminhos ou, simplesmente, que nos dizem: - Estou aqui! Lê-me!
Comecei a minha procura.
Comecei a minha procura.
Depois de algum tempo, achei que tinha encontrado o que queria.
Encontrei uma verdadeira enciclopédia. Vastíssima, repleta de novidades e, para meu gáudio, verdadeiramente especializada na área que mais necessitava de ler agora.
Necessitava urgentemente de respostas para as minhas dúvidas.
Fiz o contacto e encomendei.
Encontrei uma verdadeira enciclopédia. Vastíssima, repleta de novidades e, para meu gáudio, verdadeiramente especializada na área que mais necessitava de ler agora.
Necessitava urgentemente de respostas para as minhas dúvidas.
Fiz o contacto e encomendei.
No dia e à hora combinados fui buscá-la.
A loja era fascinante. De tal maneira que a leitura do primeiro volume foi iniciada lá mesmo: com música e cheiros.
A princípio custou-me um pouco entrar no enredo; assim como quem inicia o “Ensaio sobre a cegueira” de José Saramago. Fica-se perdido naquela falta de pontos e de vírgulas que nos condiciona a respiração. Nunca sabemos quando se pode ou deve fazer uma pausa para respirar. De tal forma que respiramos aos solavancos. Depois, as ideias ficam um pouco turvas e não se alinham, não há um fio condutor, não se vê um princípio, um meio e um fim: tudo é princípio, sempre princípio, porque sempre novo, desconhecido. Até assusta!
Trouxe esse primeiro volume para casa, alojado na minha mente, e continuei a lê-lo, um bocadinho todos os dias. É uma leitura que se auto impõe.
Oito dias volvidos, regressei para o segundo volume.
Desta vez dei mais atenção a pormenores que não havia dado da primeira vez. Senti que havia uma energia muito positiva, uma tranquilidade a que não estava habituada e que, estranhamente, me perturbava. Dei início ao segundo volume.
Como já estava mais confiante e preparada para o tipo de discurso literário, foi mais fácil penentrar o texto, sentir-lhe os aromas, os recursos, as pausas, ... Deixei-me levar por cada parágrafo, por cada palavra, por cada vírgula em falta, por cada toque. Aqui, neste segundo volume, senti, nitidamente, que era uma leitura que me iria dar muito prazer. Um prazer do qual decidi não abdicar: ia ler aquela enciclopédia até ao fim.
Como já estava mais confiante e preparada para o tipo de discurso literário, foi mais fácil penentrar o texto, sentir-lhe os aromas, os recursos, as pausas, ... Deixei-me levar por cada parágrafo, por cada palavra, por cada vírgula em falta, por cada toque. Aqui, neste segundo volume, senti, nitidamente, que era uma leitura que me iria dar muito prazer. Um prazer do qual decidi não abdicar: ia ler aquela enciclopédia até ao fim.
Tornou-se um hábito semanal. De tal forma me embrenhei, que se transformaram em viagens ao mundo do retido na alma, ao fosso onde se enterraram e ainda se escondem, envergonhados, os doces sabores de ser mulher.
Vários volumes depois, redescobri o prazer de ler, a capacidade de sonhar, mas, acima de tudo, a vontade firme de não desistir, a necessidade de não me deixar adormecer, de arrancar o pouco que ainda há para conhecer e que a Vida não me vai negar.
E eu vou estar atenta, muito atenta, porque o Universo, às vezes, alinha-se.
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