A descoberta que nunca tive coragem para admitir:

Não acredites em quem apregoa o amor; acredita antes em quem o pratica!

Saturday, May 29, 2010

Hoje ofereci-me rosas!


Hoje, resolvi oferecer-me rosas, a mim própria.

Fui ao quintal da minha mãe e olhei para elas, com olhos de quem aprecia toda a beleza que elas sempre tiveram.
Achei que, de alguma forma, elas falaram comigo.
Disseram-me que eu estava feliz, alegre, com um sorriso de orelha a orelha, ... que já não me viam assim há muito, muito tempo.
Apetecia-me ficar ali, com elas, a conversar mas senti que elas se convidaram a vir comigo.
Então, eu trouxe-as. Um ramo que abracei.
Em casa, dei-lhes um lugar e uma forma: solta, livre, um tanto desalinhada, assimétrica, talvez mas foi assim que me apeteceu, porque é assim que me sinto: livre, solta, desalinhada mas, gostosamente feliz.

Wednesday, May 26, 2010

Dormes comigo todas as noites!


Todos os dias, antes de entrar no mundo dos sonhos,
Elevo-te no meu pensamento e te retenho.

Pego em cada pedaço teu
e faço dele o meu mais desejado troféu.
Nos teus olhos deposito toda a minha alma!
Eles me acolhem e me encorajam,
deixam que me dispa e me mostre
Nua, pura, apenas Eu.
Nas tuas mãos me entrego, me deito e me detenho.
Sinto-te em mim, na força do meu desejo.
Sussurro ao teu ouvido a vontade da tua boca,
deslizo à procura do teu beijo,
que imagino quente, molhado, profundo e doce,
enquanto as tuas mãos vagueiam pelo meu corpo,
e me descobrem recantos que já te sentem,
desejando, tu e eu, que nossos corpos se unam,
se fundam, se misturem e se moldem.

Todos os dias, antes de entrar no mundo dos sonhos,
Te desejo, te tenho e adormeço.

De manhã, quando acordo,
encontro-te tatuado na minha mente,
como se ali tivesses dormido, comigo.
Passeias-te em tudo o que toco,
em tudo o que cheiro,
em tudo o que o meu olhar alcança.
Guardo-te em mim,
Aconchego-te ao colo.
Fico contigo até anoitecer.

À noite, antes de entrar no mundo dos sonhos,
Te desejo de novo, e te tenho inteiro.

Sunday, May 16, 2010

A minha casa é a minha alma

A minha casa é a minha alma.

Nela albergo tudo o que faz de mim o que sou: os desencantos, as alegrias, as desilusões, as metas intangíveis, os caminhos traçados, as dores, as ilusões, ... e os sonhos.

Os meus sonhos.

Aqueles que me levam a lugares onde nunca estive, onde vejo e sinto o que nunca senti - almas que se me ligam e se mesclam como se fossemos uma só - onde eu corro, onde eu voo, onde eu experimento, onde eu me supero, onde eu vivo, onde eu cheiro, choro e sinto, ...

Onde eu te sinto, debaixo da minha própria pele.


A minha casa é a minha alma.
É nela que quero morar.

Monday, May 3, 2010

Estes olhos, assim profundos!



Tanto que oferecem! Mas guardam.
Tanto que escondem! Mas denunciam.
Tanto que apetece descobrir!

Saturday, May 1, 2010

Roy Orbison : California Blue

O lago da despedida

Foi hoje, entre as 00:30h e as 01:30h. A hora de fechar e de abrir os olhos.
Vivi a despedida no lago. A despedida do que nunca foi.

Não sei muito bem como cheguei àquele local. A verdade é que me vi lá, sentada, numa sala de espera de uma casa grande, parecia-me uma clínica, com paredes e tectos brancos, onde as funcionárias também se vestiam de branco.
A certa altura uma delas pediu-me para a acompanhar a uma sala, onde tu já me esperavas, à porta, também vestido de branco - umas calças largas e uma túnica.
Os teus olhos sobressaíam naquele invólucro branco. Duas estrelas azuis. Deste-me a mão, entrámos, fechaste a porta e levaste-me até ao fundo da sala, onde havia uma porta enorme, toda em vidro e de onde se podia ver um jardim. Lindíssimo! Um jardim como nunca havia visto em toda a minha vida: as árvores, as flores, os arbustos, as cores, tudo era deslumbrante. Aquela paisagem fascinou-me. E tu percebeste.
Abriste a porta, voltaste a pegar-me na mão e levaste-me até ao jardim. A medida que caminhávamos, o ar quente e doce invadia-me as narinas e deixava-me leve, como se os meus pés não tocassem o chão ao caminhar. Havia um pássaro que nos sobrevoava, enquanto caminhávamos, mas cantava uma melodia triste, como que anunciando algo de trágico. Só isso destoava no meio da toda aquela beleza. Caminhámos um pouco e encontrámos uma escadaria que descia para um lago,de um verde límpido e suave. Descemos e reparámos que o lago era ladeado por uma escarpa rochosa, altíssima, formando um círculo, quase totalmente fechado. Consegui vislumbrar uma fenda vertical na parede de rocha, por onde o vento se esgueirava e a água do mar - que ficava do lado de fora deste círculo granítico - comunicava com as águas verdes do lago.
Havia pedras, umas grandes e outras menores, que formavam uma espécie de passadiço, através do qual se podia chegar ao centro do lago. De mãos dadas, saltitámos até chegarmos a uma rocha maior, onde nos sentámos. Estivemos assim, sentados, em silêncio por alguns instantes. Podíamos ver pequenas tartarugas, peixes coloridos e de tamanhos variados que se abeiravam para ver quem havia chegado ali. Um mero veio ver-me. Acho que nos conhecíamos, já. Seria o Pintas? Não deu para confirmar.
A água, um espelho translúcido, mostrava o fundo, todo coberto de pequenas algas verdes e que, por isso, lhe davam aquela cor. Tu comentaste que o lago era o espelho dos meus olhos.
O sol entrava a pique e tu não resististe. Livraste-te da túnica e mergulhaste. Fiquei à tua espera. Subiste, chegaste perto dos meus pés e disseste: "Vês? trouxeste essa saia e agora não podes vir!" Eu sorri. Ainda respondi: "Mas eu tiro-a!" Já tu tinhas mergulhado outra vez. Ainda te vi deslizar para o fundo e fiquei a ver se subias. "Maldita saia!, pensei.
O sol deixou de brilhar, uma nuvem cinzenta carregou o céu e eu deixei de te ver no fundo.
Estremeci ao som de um assobio, vindo daquela fenda nas rochas, onde um ar forte cresceu e começou a puxar-me, como se quisesse sugar-me para fora do círculo. Arregacei aquela maldita saia e subi a uma rocha mais estreita e à qual me podia agarrar, abraçando-a, e senti que a água estava, também ela, a ser levada, como se tivessem retirado o tampão de uma banheira. Tudo o que havia no lago era levado, em remoinhos. Eu filei os meus olhos no fundo do lago, tentando encontrar-te, gritando o teu nome, já rouca, já sem força, sentindo os gritos redobrarem pelo eco mas abafados pelo uivo enfurecido daquele mar que vinha resgatar a sua água e os seus peixes, antes aprisionados neste círculo rochoso que foi um lago.
Tu não ficaste. Tu não apareceste. Tudo tinha sido levado. Tu também. Eu gritei o teu nome até à exaustão, até não conseguir ouvir a minha própria voz.
Fiquei sem saber se foste levado ou se escolheste ir.
Neste lago me despedi de ti.