A descoberta que nunca tive coragem para admitir:

Não acredites em quem apregoa o amor; acredita antes em quem o pratica!

Friday, September 26, 2008

Não pertenço a ninguém!

A uma amiga que ganhei hoje.
Que conquistei e que está cravada na minha alma. PARA SEMPRE.


Cântico Negro

"Vem por aqui" - dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!" Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...

A minha glória é esta:
Criar desumanidade!
Não acompanhar ninguém.
- Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre à minha mãe

Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...

Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: "vem por aqui!"?

Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...

Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.

Como, pois sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...


Ide!
Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tectos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...
Eu tenho a minha Loucura !
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...

Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém.
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.

Ah, que ninguém me dê piedosas intenções!
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou.
É uma onda que se alevantou.
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
- Sei que não vou por aí!
José Régio

Thursday, May 8, 2008

The Closest Thing to Crazy


How can I think I'm standing strong?
Yet feel the air beneath my feet.
How can happiness feel so wrong?
How can misery feel so sweet?
How can you let me watch you sleep?
Then break my dreams the way you do.
How can I have got in so deep?
Why did I fall in love with you?

This is the closest thing to crazy I have ever been.
Feeling twenty-two, acting seventeen.
This is the nearest thing to crazy I have ever known.
But I was never crazy on my own.
And now I know That there's a link between the two,
Being close to craziness, and being close to you.
How can you let me fall apart?
Then break my fall with lovin lies.
It's so easy to break a heart,
It's so easy to close your eyes.
How can you treat me like a child?
Yet like a child I yearn for you.
How can anyone feel so wild?
How ca anyone feel so blue?

This is the closest thing to crazy I have ever been.
Feeling twenty-two, acting seventeen.
This is the nearest thing to crazy I have ever known.
I was never crazy on my own.
And now I know
That there's a link between the two,
Being close to craziness, and being close to you
And being close to you
And being close to you

Kylie Melua

Wednesday, May 7, 2008

As tuas mãos

Onde estão as tuas mãos?
Aquelas mãos que me pegavam no rosto,
o seguravam ... docemente,
muito docemente
e o mantinham imóvel,
meticulosamente imóvel,
até que nossas bocas se unissem!?

Onde estão as tuas mãos?
Aquelas mãos que me tocavam a cintura,
uma de cada lado, preguiçosas,
enquanto um segredo
era largado no meu ouvido,
quase inaudível,
mais beijo que segredo!?

Por onde andam essas tuas mãos?

Que destinos encontraram?

Que formas tomaram?

Que morte lhes bateu,
que já não sabem tocar,
As tuas mãos?

Thursday, March 27, 2008

"O Mar e Tu" - Puro Fascínio e Perdição: o Amor

Esperar como quem sonha sempre navegar

as velas rubras deste amor,

A Barca Louca perde o Norte.

A Vida a navegar por entre o Sonho e a Mágoa,

Talvez no Mar, eu feita Espuma, encontre o Sal do teu olhar.

Tuesday, March 25, 2008

A sétima onda

O mar é calmo e suave.
Rola, enrola, desliza,
leva e traz consigo
a ânsia de se espraiar.
A areia observa, serena.
Aguarda ser cortejada.
Neste vai e vem,
ambos sabem que se querem,
ambos conhecem seus desejos.
Seis vezes o mar vem.
Seis vezes o mar vai,
para, de seguida, irromper
forte, intenso e louco
e jorrar suas águas,
enquanto a areia o recolhe no seu ventre,
abrindo-se em sulcos de prazer e êxtase,
em sons trepidantes e luz.
Na despedida ela pede:
- "Mais! Mais!"

Friday, March 21, 2008

Aceito o conselho

"... Chorar quem não nos chora, amar quem não nos ama, escrever o que já não há para ser dito, são coisas que já deixaram de encaixar no meu coração.
...
Por agora, o mais importante é encontrar em mim tudo o que deixei partir ou que deixei morrer. Talvez encontrar amor. Talvez encontrar confiança, partilha e amizade em quem as sabe – e quer – dar. Talvez não rejeitá-las quando me forem oferecidas. ..."
Diogo Ribeiro

Sunday, March 16, 2008

Frente a frente

Hoje sentámo-nos, frente a frente, para conversar.
Já não conversávamos assim há muito, muito tempo.
Reparei que ela tem os olhos muito descaídos, muito tristes, todo o rosto é um invólucro de dor, ressentimento e amargura.
Por longos minutos ficámos a olhar uma para a outra. De vez em quando ela baixava os olhos e eu também. Quando ela os reerguia, também eu elevava os meus.
Depois, de repente, ela disse-me:
“- Estou um trapo! Velha. Velha por fora e morta por dentro!”
Eu não respondi.
Então ela continuou:
“- Lembras-te como eu era alegre, desprendida, de sorriso gargalhado, franco, aberto? Ninguém à minha volta estava triste. Eu não deixava. Tinha força para dar e dar. Sim, digo bem: dar e dar. Não era para dar e vender, que estas coisas não se vendem. A força, a alegria, a boa disposição, ... tudo isto se dá. E eu tinha tanto para dar!”
Continuei calada. Deixei-a falar.
De vez em quando ela parava, respirava fundo, como se quisesse arrancar força ou o ar que lhe faltavam amiúde.
Ficou imóvel por momentos, silenciosa, pensativa e continuou:
“- Sou como um cão abandonado.
Olho à minha volta na esperança que alguém me veja, me note, me recolha, abano o rabo, olho com os meus olhos tristes, caídos e baços mas ninguém está interessado num cão como eu: velho, ranhoso, escanzelado, com peladas por todo o lombo, muitos golpes na alma, (mas os cães terão alma?...), um cão que não foi capaz de guardar a própria casa, o próprio dono, um cão que foi deixado só, ao abandono, enxotado, ... um cão que se esqueceu de como se corre atrás de um rato, de como se prepara uma cilada ao gato que insistentemente se exibe no telhado...
Enrosco-me no meu canto, lambo as minhas feridas, como aquilo que me arremessam e fujo dos pontapés.
Tenho mesmo de me despedir.
Do Sol, da Lua, das estrelas, do mar, ... e de ti. Principalmente de ti."
Quando ela terminou, ainda lhe perguntei: “- Porquê?”
Mas, agora, foi ela que não respondeu.
Vi-lhe duas pesadas lágrimas soltarem-se daqueles olhos tristes e baços, frias, salgadas e grandes.
Duas lágrimas que eu experimentei e que me alagaram os próprios olhos.

Retrato

Eu não tinha este rosto de hoje,
Assim calmo, assim triste, assim magro,
Nem estes olhos tão vazios,
Nem o lábio amargo.


Eu não tinha estas mãos sem força,
Tão paradas e frias e mortas;
Eu não tinha este coração
Que nem se mostra.


Eu não dei por esta mudança,
Tão simples, tão certa, tão fácil:
- Em que espelho ficou perdida
A minha face?

Cecília Meireles