A descoberta que nunca tive coragem para admitir:

Não acredites em quem apregoa o amor; acredita antes em quem o pratica!

Tuesday, August 28, 2007

O meu inverno

Ultimamente tem-me apetecido hibernar.

Apetece-me entrar numa caverna e lá ficar até o meu inverno passar.

Fico sempre na esperança que vem o verão mas, espero, espero, ... ele dá um ar de querer aparecer mas logo se dissipa.

O tempo, este tempo de Verão (agora com maiúscula) que estamos a viver também é assim: vem, vai, reaparece, vai de férias.

Acho que este tempo tem muita responsabilidade pelo meu inverno. Será?
É que nem as minhas artes manuais me dão alento!

Tuesday, August 21, 2007

O Pintas

Este é o Pintas que me diz: - "Aqui quem manda sou eu!"


Este é o mesmo Pintas a dizer: - "Pronto, vá lá, já podes visitar a minha casa."

O Pintas é um mero que mora na reserva do Garajau, na Madeira.
Conheci-o este ano, nos finais de Julho.

Porque já o conhecia – de ouvir falar – e sabia de algumas histórias interessantes a seu respeito, foi com muito entusiasmo que desci até à sua “casa”.
Sabia que, anos antes, ele tinha feito estragos na mão de um mergulhador, por ter confundido os seus dedos com salsichas, confusão essa originada pelo mau hábito de alguns mergulhadores alimentarem os peixes.

Comecei a descida pelo cabo, embora hoje já goste de a fazer em queda livre e, uma vez no fundo, aos 36 metros, fiz uns pequenos ajustes ao colete, às luvas – para que os meus dedos não fossem confundidos com salsichas, e iniciei a visita com os colegas que me acompanhavam. Foi uma questão de segundos e o Pintas já estava à nossa frente. Mesmo à minha frente, perpendicular a mim, enorme, muito castanho e pintalgado.
A minha primeira reacção foi fechar as mãos. É incrível a forma como nós, inconscientemente, temos actos tão defensivos. O Pintas, por sua vez, abriu a sua bocarra até às “orelhas”, levantou “a crista” como os cães elevam o pelo do lombo, como que a dizer-me –“Aqui quem manda sou. Estás na minha casa. Porta-te bem”.
E eu, imóvel, de mãos fechadas e já debaixo dos sovacos, ali fiquei à espera que ele fosse embora para eu poder mexer-me.
Depois desta recepção, o Pintas deu à barbatana e desapareceu por trás de um rochedo para, logo de seguida, voltar e passear-se na nossa frente, fazer pose para a câmara e nadar ao nosso lado.
Durante todo o mergulho tivemos o Pintas a acompanhar-nos, a mostrar-nos os seus domínios, os seus vizinhos e os seus amigos.
Acho que ele gostou de mim.
Também, depois do cagaço que me pregou, deve ter ficado a pensar:
- “Bem, esta já percebeu quem manda. Será inofensiva”.

Monday, August 20, 2007

Loiras! Bah!


Pois é!

Somos duas: eu e a Guapa.

A Guapa é uma "perra" matreira.
Veio cá p'ra casa há doze anos. Fomos buscá-la ao Sabugueiro.

Estava um frio de rachar lá por cima mas, conforme íamos descendo, o calor ia aumentando. A Guapa, coitadita, lá vinha na mala do carro - não vá o diabo tecê-las e ela começar a vomitar como o cão de uns amigos que pregava sempre esta partida quando viajava de carro.
As paragens tornaram-se frequentes para ver como ela se portava, se estava bem, se tinha sede, ... até que reparámos que ela tinha a língua muito branca. Que se passaria?
Nada. Afinal de contas era a sua primeira viagem de carro, caramba! É um pouco como a nossa primeira viagem de avião: até a língua se nos deve ficar branca, só que não a vemos e também não andamos a mostrá-la a toda a gente para lhe ver a cor.
No dia seguinte já estava de língua da cor das línguas dos cães.
A partir daí foi o quinto membro da família.

Ultimamente anda triste, parece-me "pensativa", não tem muita vontade de se atirar aos pardais, - mesmo que eles estivessem empoleirados nos fios e longe do seu dente, ela não desistia. Agora, olha-os, afita as orelhas mas, logo a seguir, volta a deitar a cabeça sobre as patas dianteiras e adormece. Passa o tempo a dormir. Tavez seja a velhice a marcar presença.

Friday, August 10, 2007

Tudo leva o seu tempo.




"Tudo leva o seu tempo!" era uma expressão da minha avó Maria, - sábia nestas coisas da vida - e que me tem acompanhado nesta última fase confusa, para não dizer conturbada da minha vida.

O nosso corpo e a nossa alma pedem-nos calma, pedem-nos tempo, pedem-nos paciência, pedem-nos por vezes o impossível, mas pedem. Pedem sempre. E nós resistimos, ou resignamo-nos mas, a verdade é que o tempo tem um lugar preponderante na (re)solução de muitas questões na nossa vida.

Agora, depois deste tempo, venho espalhar alguma da minha alegria reconquistada, reconstruida, gota a gota, porque de muitas lágrimas foi feita, para, lentamente, viver os dias em harmonia com a Natureza, com a minha natureza, a natureza de quem gosta de viver, de apreciar o que existe de bom neste planeta que nos foi dado para viver.

Uma grande parte dele, a maior, é água. Foi lá, nessa água, que encontrei a tranquilidade e a calma que me faziam falta e que me fazem bem. Descendo. Fundo, bem fundo.