
Dizem os manuais que a Primavera chega a 21 de Março.
De facto, esteve um dia bonito; um dia de Primavera.
Ontem, a manhã foi injusta. Tão injusta que me fez questionar coisas, atitudes, dedicações, entregas, ... questionei-me a mim própria: Mas afinal, quem serei eu? Que posso, na realidade, dar aos outros? Como é essa minha dádiva encarada e recebida pelos outros?
Fiz-me diversas perguntas - algumas mais idiotas do que outras - mas, no fundo, questionei muita coisa. Arrependi-me de outras tantas.
O almoço, no Lais de Guia - meu refúgio preferido - foi leve, apreciado, embora só. Terminei-o com uma chávena de chá verde a acompanhar uma tarde de maçã morninha com uma bola de gelado. Mistura de sabores, ... o quente e o frio, ... . Uma delícia! Achei, por momentos, que tinha exorcisado aquela manhã. Como me enganei!
Regressei ao trabalho.
O contacto com o espaço trouxe-me, de volta, a manhã. Aquela manhã injusta.
Mas, respirei fundo, olhei pela janela, liguei o computador e pensei:
- Paciência! Não há-de ser nada de grave.
Qual paciência? Remoí-me toda por dentro. Continuei o meu discurso interno de questões, de suposições, de "porquês", ... aquela minha constante luta: Razão versus Emoção. Como elas se desentendem, ultimamente!
Mas afinal, em que contexto deste discurso entra a Primavera?
No fim do dia.
Precisamente aí.
Um Anjo desceu, pegou em mim ao colo, mostrou-me que a Primavera existe, que é, ainda, possível apreciar as manhãs radiosas, os dias de sol, os fins de tarde alaranjados, ...
Afinal as cores existem. Para além do cinzento e do preto, há outras cores: as da Primavera.
Ah, e o verde é bonito.
E o azul, como o azul pode ser tão meigo e doce!