Foi tudo tão intenso, tão diferente, …
O meu corpo sentiu-se completamente confuso.
Ou teria sido eu a confundir-me?
Não importa, porque o corpo é meu
e eu também sou corpo.
Essas tuas mãos, que pegaram nas minhas,
sem adornos nem receios,
fizeram-nas transpirar, gelar, …
galgar com a mensagem até ao meu coração, que disparou.
Coitado! Não estava habituado.
Disparou vozes de quero, quero, .. eu quero!
O quê? perguntaste-me. O que queres?
A ti, respondi para dentro.
O teu abraço veio buscar a resposta.
O meu abraço contou-te o que eu queria.
Foi tão intenso, tão inesperado, …
O meu corpo prostrou-se, irremediavelmente rendido:
- Que estava a acontecer?
Eras tu, era eu, latejante de desejo,
era a magia, era a surpresa, era tudo!
Tudo tão novo! Tão arrojado!
Se pudesses ter sentido o bater do meu coração,
terias sabido do galope.
Se pudesses ter ouvido a minha alma,
terias sabido da minha ânsia.
Sentiste? Sentiste, sim, que eu sei.
Vieste ao meu encontro. Porque eu não iria.
A minha audácia ainda é jovem, indecisa, ...
O beijo … senti-o desprevenida mas sôfrega,
como quem sorve depois do jejum,
em golpes vorazes e seguidos,
ao mesmo tempo que despertava para ti.
O toque … céus! Baleou-me.
A respiração falhou, entrecortada, ...
O pensamento começou a diluir-se,
a fugir de mim, a fugir dali, ...
Percebi, rapidamente, que toda eu tenho Vida:
cada dedo, cada fio de cabeço, cada milímetro de pele, …
...
Vida pulsante, intensa e desmedida.
E percebi também que,
se me guiares, eu serei capaz.
Até quando?
Até quando for possível e o Sol, e o vento, e a Terra me permitirem.
E tu, não precisas de te assustar,
Porque a minha vontade apaga no momento em que a tua ordenar.


